Sexta-feira, Outubro 30, 2009

matisse-Henri

Vou postar minhas últimas descobertas destes tempos de marasmo criativo:

Música – NENHUMA
Cinema – NENHUMA
Teatro – NUNCA TEM NENHUMA DESCOBERTA
Livros – SEMPRE. Mas isso não conta porque ler, pra mim, é quase que involuntário. Tem letras, estou lendo.

Um campo eu posso preencher: EXPOSIÇÃO.

Pela primeira vez eu fui a uma exposição de um artista que admiro há um bom tempo. Matisse.
Quando teve a inauguração do francês na Pinacoteca, fiquei morrendo de vontade de ir, mas esperei a “badalação”. Agora, quase acabando a exposição, todo mundo, como eu, “se lembrou” de ir. E eu fui, em um sábado ensolarado, de bicicleta.

Nunca senti uma emoção tão grande diante de um quadro. É bem estranho você ver, ao vivo, uma obra que você leu sobre. Eu já vi outras exposições famosas, como Picasso. Mas Matisse sempre esteve em meu imaginário adolescente, pois me lembro de ter lido varios artigos em inglês sobre ele – quando eu estava empolgadíssima para aprender inglês, há mais ou menos 10 anos.

E, sábado passado, fico cara a cara com a obra. Foi bem emocionante.

Eis meu quadro favorito de Matisse.



Não me cobrem nada mais elaborado, nenhuma resenha crítica, porque acho que nunca senti inércia criativa maior em minha vida.


Esse eu também gosto!

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Fim do segundo ato do roteiro de minha vida.

Sumi por muito tempo. Acho que, pela primeira vez na vida, fiquei com o cérebro totalmente vazio, sem inspiração e sem assunto, por quase um mês. Isso que continuo lendo livros, jornais e as ditas fontes de informação e inspiração.

Foi muito triste olhar as visitas deste blog caindo, e eu sem coragem inclusive de acessá-lo – justo eu, a dona do blog, o larguei às moscas, não por falta (somente) de inspiração ou preguiça, mas por falta de coragem mesmo de ver o quanto abandonei meu espaço e talvez tenha me abandonado por esse tempo.

Eu parei de escrever e de baixar músicas
O exercício da escrita aparece do nada, normalmente à noite ou quando estou em estado de inércia – no metrô, viajando, antes de dormir, correndo...Mas, quando se está cansada, alienada e preocupada com os pilares trabalho-família-relacionamento (nessa ordem), parece que a gente não se permite parar uns minutos, talvez horas, para se dedicar ao próprio pensamento e ao exercício de pensar. Seja descobrindo músicas novas, escrevendo neste espaço ou no diário pessoal. Não fiz nada disso neste último mês.

Críticas ao paradigma: faça o que eu digo X não faça o que eu faço
Em um mundo capitalista e de interesses, até os mais esclarecidos e críticos se vendem. Segunda feira ia passar um programa imperdível para mim: o Roda Viva ia entrevistar o criador do Linux,. No mesmo horário, me limitei a assistir um programa relacionado a algo que não acredito.

Penso que não devemos parar de pensar um mundo melhor, ainda mais quando estamos jovens. Afinal, ainda veremos as conseqüências de nossos atos egoístas e interesseiros lá na frente, quando estivermos velhos, debilitados, e tentarmos sentar no assento preferencial do ônibus e um jovem de iPod, mascando chiclete e assistindo ao resumo da Malhação na televisão do ônibus pular na sua frente e sentar no assento preferencial em seu lugar. Você pode xingar e espernear – ele não vai te ouvir.

Parece um desabafo idiota, mas fiz exatamente o mesmo hoje de manhã: estava atrasada e vi o ônibus descendo a Augusta – se eu o perdesse, ficaria esperando séculos o próximo passar. Uma velhinha estava no meio da calçada, interrompendo minha corrida rumo ao ponto. Eu, meio que sem querer e sem paciência, esbarrei na velhinha e saí correndo. Estava ouvindo The Gossip no talo e não ouvi a senhora me xingando depois do que fiz a ela, mesmo que sem querer. Foi um alívio não ouvir seus xingamentos, mas ao mesmo tempo me senti uma jovem-estúpida-ouvindo iPod com músicas indies retardadas-de óculos escuros-individualista.

A gente se vende e se corrompe o tempo todo, à medida que ficamos adultos e largamos a faculdade, ou quem sabe, os tempos em que tínhamos tempo para pensar. Eu era pobre, andava de Havaianas, mas pensava e tinha orgulho de minhas atitudes, porque eu agia de acordo com o meu pensamento ético. Ultimamente, nem tanto.

Minha vontade é de correr pelo campo, exorcizar minha vida, sentar em uma máquina de escrever sem MSNs, Gtalks e emails pulando em minha frente. Em uma fazenda nublada ou um porão escuro.

Por que esses devaneios?
Meu tio morreu neste sábado, na semana mais tensa da minha vida.

Explicação do título:
o primeiro ato de minha vida acabou quando minha avó morreu, há 14 anos atrás. Meu tio morreu no mesmo dia, marcando o fim do segundo ato.

Domingo, Setembro 27, 2009

Saudades que corrói

Não sei porque eu ainda insisto em conversar com meu namorado chinês. Toda vez que converso com ele via Skype fico deprimida, choro em seguida, e não consigo pensar em mais nada.

O pior é as pessoas falando pra eu “desencanar”, viver a vida, e tal. Concordo com esses conselhos, porque não consigo imaginar uma situação mais difícil do que:

- namorar um chinês que mora no Japão e não fala inglês, nem português.
- E que, para piorar, não tem a menor intenção de vir para o Brasil

O mais razoável é eu viver minha vida aqui, e ele lá.

Há tantas coisas difíceis na vida – trabalhar, dinheiro, família, saúde, relacionamentos – mas a que mais dói, sem sombra de dúvidas, é a dor do amor. Dói, dói muito, faz chorar e perder a fome, faz esquecer do mundo. A dor da saudades também é cruel, parece que corrói por dentro e te aperta em você mesmo.

Quando estou deprimida ajo de duas maneiras: ora travo, fico estática, parada, sem vontade de fazer nada. Ou fico com vontade de sai correndo pelas ruas.

....

Depois de dois meses, estou começando a sentir saudades do Japão. Daquelas pequenas coisas, como:
- Andar de bike de salto alto.
- Dormir no metrô e largar a bolsa sem desconfiar dos outros
- A delicadeza dos japoneses
- Dançar em uma balada de 6 andares
- O silêncio

Saudades é um sentimento que dói muito, nos faz perder o norte das coisas.

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

Castrando as mentes poluídas

Cena de Lolita, direção de Stanley Kubrick

O que foi aquela idéia do senador Gerson Camata (PMDB) de castrar os pedófilos?

Parece mentira e coisa da era medieval e, embora seja algo “voluntário”, ou seja, o cara tira a libido se quiser, é algo muito estranho, pois, querendo ou não, fere a integridade física do indivíduo. Sinceramente, é claro que esse lance de pedofilia realmente é nojento e repugnante, porque é uma ferida permanente para quem é molestado. E que às vezes a gente fica com vontade de cortar a mão de quem rouba – como quando aconteceu na Indonésia há um ano atrás,
reflexo de uma reação passional ao erro humano, ao roubo e ao distúrbio, ao bizarro do convívio social.

Mas, como sempre, o problema é mais embaixo. Em uma sociedade em que o culto à juventude eterna é cada vez maior, e que a Internet propicia qualquer tipo de fantasia a preço de banana, ou de graça, não é difícil entender o motivo do aumento de casos de pedofilia digital. Qualquer fantasia, desejo reprimido, é só Googlar e puf! o sonho aparece.


Xuxa - teu passado te condena...

E, outra, antigamente – nem tão antigamente assim, há mais ou menos 20 anos atrás – a relação de criança/pedofilia era bem mais flexível. Quem não se lembra do filme pornô feito pela Xuxa, em que ela seduz um garoto de 12 anos? O filme é de 1982, e se fosse hoje, a “rainha dos baixinhos” (sem trocadilhos) estaria presa.

O mesmo diria do livro e do filme Lolita, de Nabokov e Kubrick respectivamente. Uma garota de 12 anos que tem um caso com um tiozinho? Seria censurado hoje...

Não sou a favor dos pedófilos, longe disso, mas temos que entender que a Internet só piorou uma situação que estava velada e limitada a centros físicos de exploração infantil, e locais privados, como o ambiente familiar. Outra, a pedofilia pode ser controlada mais facilmente se os pais participassem mais ativamente da vida dos filhos e limitassem o acesso destes ao uso indiscriminado de redes sociais e comunicadores instantâneos - atualmente, principais alvos dos pedófilos.

Já perdi a conta da quantidade de vezes que vi adolescentes e crianças se expondo no Orkut de biquíni, decote. Chega a ser pior do que revista Playboy. E os pais, não supervisionam isso? E as escolas, não fazem um programa de educação do uso adequado da internet?

O mundo é mundo e está cada vez pior porque vive de sistemas paliativos – um reformismo permanente em todas as instâncias
...

Sábado, Setembro 05, 2009

Algumas metas riscadas


Peguei minha bicicleta, de chinelos de dedo, chapéu e camiseta com a estampa escrito “Curitiba”, adquirida em uma feirinha da capital do Paraná.

Subi a rua de minha casa (uma ladeira imensa) pedalando. Até que foi fácil. Em seguida, cheguei em casa meio resfolegando e vi minhas tarefas do feriado – que incluíam, entre outras coisas, me matricular em uma academia, estudar japonês, pegar a bicicleta da revisão na oficina, comprar um celular, baixar uns 30 cds, entre outras metas. Risquei apenas a da bicicleta, e jurei que começaria a fazer as outras coisas amanhã.

Mas alguma inércia está em mim, e eu tenho preguiça de quase tudo ultimamente. Sair de balada? Fico com vontade, até me lembrar que tenho que ficar acordada até às quatro da madrugada. Viajar no feriado? Talvez eu volte mais cansada do que se ficasse em casa. Encontrar os amigos? Uma boa, se eu não for obrigada a beber cerveja ou ir a lanchonetes terríveis, como o McDonalds. Dormir? Palavrinha pouco aplicada ultimamente.

Desde que voltei, parece que só posto aqui para descarregar minhas baterias da estafa mental. Só agora, depois de um mês, que talvez eu possa planejar um pouco as coisas. Voltarei a estudar japonês, a ver um filme, ler o jornal diariamente. Ainda falta ver algumas pessoas, mas acho que farei isso em breve.

Ps: não me arrependi de não ter ido à praia. Tem alguma coisa mais gostosa do que sampa no feriado?

Quarta-feira, Agosto 19, 2009

Em qualquer lugar do mundo, eu quero fazer isso

Eu estou com saudades de ver pessoas que conheço há mais do que duas semanas. Com saudades de ir ao mercado comprar queijo branco e caminhar de Crocs pelas ruas poluídas de São Paulo.

De ler jornal calmamente pela manhã, após a corrida matinal. De dormir mais de cinco horas por dia. De ver um filme no sábado à tarde, depois do suco de melão com os amigos. De tomar um café com pão de queijo na padaria.

Eu poderia fazer isso em qualquer lugar do mundo do universo. Alguém me libera?

Sábado, Agosto 08, 2009

Minha semaninha calminha de Brasil

Estou com sono, estou no Brasil, meus pés estão com umas bolhas que eu nunca vi na minha vida, eu comi feito uma porca na Pizza Hut, tenho que aceitar o fato de que meu namoro acabou, minhas unhas estão quebradas, minha sobrancelha está por fazer, não comi a comida da minha mãe até agora, comprei uma torta por 10 reais e não lembro se isso é caro ou não, ainda não entendi a dinâmica do trânsito caótico de São Paulo, me surpreendo com a gentileza dos brasileiros .

Minhas olheiras estão passando do limite do tolerável, eu não consegui correr nenhuma vez esta semana, não consegui me matricular no japonês, estou morrendo de medo de esquecer o japonês (idioma), queria ter ido ao show do Tom Zé.


Quero ouvir Groove Armada!

Boa semana! A minha foi ótima.